Hemitriccus

O gênero Hemitriccus da ordem Passeriforme, da subfamília Pipromorphinae, da família Tyrannidae contém aproximadamente vinte espécies, todas endêmicas da América do Sul (Traylor 1979) sendo a maioria delas encontrada nos Andes e no Brasil (Ridgely & Tudor 1994).[Sendo 17 espécies com ocorrência no Brasil]. Essas espécies são morfologicamente parecidas, principalmente quanto ao padrão de plumagem e ao formato do bico. Aparentemente, não possuem grande capacidade de dispersão, são territorialistas, monogâmicas, não migratórias e limitadas, principalmente, ao interior de florestas primárias(Cohn-Haft 2000). O comportamento é uniforme, alimentam-se de artrópodes, forrageando em curtas distâncias durante o vôo, e possuem canto parecido com os de sapos e insetos (série de notas curtas e agudas). Algumas espécies como H. flammulatus, H. josephine, H. striaticollis e H. iohannis possuem distribuição disjunta dentro da Amazônia e outras, como H. minor e H. zosterops têm ampla distribuição podendo ocorrer simpatricamente em diferentes micro-habitats (Cohn-Haft 2000). Texto extraído e adaptado de Carla Haisler Sardelli, 2005

Hemitriccus diops - olho-falso

O olho-falso mede 11 cm de comprimento.

Espécie característica das restingas, baixadas costeiras e encostas até 600m acima do nível do mar, e também das áreas cobertas por matas de araucária, matas subtropicais e matas nebulares ou pela Mata Atlântica Montana atér 1300m. Frequenta também capoeiras isoladas e soqueiras densas de bambu. Vive solitário ou aos pares em bandos mistos.

Ocorre nos estados da Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Hemitriccus flammulatus - maria-de-peito-machetado

A maria-de-peito-machetado mede 12 cm de comprimento.

Vive em meio ao emaranhado de vegetação em áreas tomadas por bambuzais em bordas de matas ripárias ribeirinhas.

Espécie pouco conhecida no Brasil, é registrada no Rio Mequenes, em Rondônia, no Mato Grosso e também no Acre.

Hemitriccus furcatus - papa-moscas-estrela

O papa-moscas-estrela mede 11 cm de comprimento. É um endemismo notável do Sudeste, com o aspecto de um todirostrum, tendo porém o macho a cauda bifurcada de pontas brancas; o dorso verde, cabeça parda, peito cinzento-escuro, uma nódoa no papo e a barriga branca.

Habita a Mata Atlântica Montana e de encosta (em altitudes entre 0 e 1200m). Vive em meio ao emaranhado de vegetação em áreas tomadas por bambuzais. Está se tornando vulnerável com a destruição massiva de seu habitat.

Ocorre na Floresta Atlântica do RJ (Nova Friburgo, Parati), leste de São Paulo e Sul da Bahia.

Espécie ameaçada, com tamanho populacional reduzido com probabilidade de extinção na natureza em pelo menos 10 por cento em 100 anos.

Hemitriccus griseipectus - maria-de-barriga-branca

A maria-de-barriga-branca mede 10 centímetros.

Espécie recentemente separada da maria-de-olho-branco(Hemitriccus zosterops).

Vive em matas de terra de firme e transição.

Ocorre na Amazônia ao sul do Amazonas-Solimões.

Hemitriccus inornatus - maria-da-campina

A maria-da-campina mede 9 cm de comprimento. Pequena espécie, é uma das menos conhecidas do gênero Hemitriccus.

Habita as caatingas amazônicas e campinaranas arbustivas adjacentes.

ocorre na região do rio Negro, no Amazonas. Porém, existem estudos apontando a região da Calha Norte Paraense(Inventário da biodiversidade no Mosaico de Unidades de Conservação criado pelo governo do Pará em dezembro de 2006 na Calha Norte do rio Amazonas) como área de ocorrência dessa espécie. Registrada em 1922, ocorre na região do rio Negro, no Amazonas. Porém, existem estudos apontando a região da Calha Norte Paraense(Inventário da biodiversidade no Mosaico de Unidades de Conservação criado pelo governo do Pará em dezembro de 2006 na Calha Norte do rio Amazonas) como área de ocorrência dessa espécie.

Hemitriccus iohannis - maria-peruviana

Não registro dessa espécie no site

a maria-peruviana mede 12 cm de comprimento. Quando comparada com as demais espécies do gênero Hemitriccus, apresenta como característica principal a íris acizentada. Ambos os sexos possuem plumagem uniforme em tons de verde-oliva.

É encontrada em bordas de florestas ripárias e em matas primárias e secundárias. Vive no emaranhado da vegetação entre latadas de cipós. Solitária ou em poares, acompanha bandos mistos pelo estrato médio e pelo sub-bosque.

Ocorre no oeste da Amazônia, nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia.

Hemitriccus josephinae - maria-bicudinha

A maria-bicudinha mede 11 cm de comprimento.

Ocorre em matas de terra firme e matas ribeirinhas. Forrageia solitário pelo estrato alto acompanhando bandos mistos.

Ocorre no nordeste da Amazônia, ao norte do Rio Amazonas, no Amapá e em área isolada do estado do Amazonas.

Hemitriccus kaempferi - maria-catarinense

A maria-catarinense mede 9 cm de comprimento. Como a maria-do-nordeste apresenta plumagem uniforme em tons acanelados.

O habitat da espécie, bordas de matas primárias e secundárias, capoeiras e florestas úmidas de baixada litorânea, tem sido continuamente degradado ou substituído por áreas urbanas ou por plantios desde o inicio da ocupação do litoral dos Estados do Paraná e de Santa Catarina. Além disto, a proximidade dessas florestas com as áreas já ocupadas em nosso litoral, aliada à facilidade de que se tem para a ocupação das florestas de terras baixas, principalmente pelo próprio relevo, a torna alvo fácil de ações antrópicas e sem dúvida este é o tipo de floresta que está mais ameaçado em todo o Bioma da Floresta Atlântica.

Endêmica do Brasil, ocorre nos estados do Paraná e de Santa Catarina.

Hemitriccus margaritaceiventer - sebinho-de-olho-de-ouro

O sebinho-de-olho-de-ouro mede 10 cm de comprimento. Ambos os sexos apresentam a garganta intensamente manchada de marrom e branco.

ocorre nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.

É encontrado solitário ou aos pares em cerrados, caatingas, matas de galeria e carrascais à beira d'água.

Hemitriccus minimus - maria-mirim

A maria-mirim mede 11 cm de comprimento. Ambos os sexos podem ser distinguidos de seus congêneres pela combinação de olhos escuros e asas com duas barras claras e terciárias manchadas.

Ocupa as caatingas amazônicas e campinaranas adjascentes, especialmente sobre solos mal drenados ou nas formações ribeirinhas em ilhas fluviais e nas lagoas ribeirinhas.

Encontra-se espalhada em pontos dispersos por toda a Amazônia, nos estados do Acre, Mato Grosso e Pará.

Hemitriccus minor - maria-sebinha

A maria-sebinha mede cerca de 10 cm de comprimento.

Localmente comum em emaranhados de cipós e outras vegetações densas existentes nas bordas e no sub-bosque de florestas úmidas de terra firme; é porém, ouvida com muito mais freqüência do que observada. Vive solitária ou aos pares.

Presente na Amazônia brasileira principalmente ao sul do Rio Amazonas, do Rio Juruá até o baixo Rio Tocantins e, em direção sul, até o Mato Grosso. Encontrada também na Bolívia.

Hemitriccus mirandae - maria-do-nordeste

A maria-do-nordeste mede 9 cm de comprimento. Apresenta plumagem uniforme em tons acanelados quando comparado com seus congêneres.

Habita a Mata Atlântica Montana e carrascais adjacentes.

Endêmica do Brasil, ocorre entre o Ceará e o sul da Bahia em altitudes entre 600 e 1000m., nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

Hemitriccus nidipendulus - tachuri-campainha

O tachuri-campainha mede até 12 cm de comprimento. É um pássaro pequeno de olhos esbranquiçados.

Vive em diversos tipos de florestas, como a Mata Atlântica de encosta e Montana, matas de araucária, mesófilas e ciliares do planalto central, em altitudes entre 0 e 900m. Frequenta bordas de matas mas prefere o sub-bosque aberto ou os grotões escuros, desaparecendo rapidamente de pequenas matas isoladas. É bastante inquieto, movimentando-se com agilidade pelas brenhas de samambaias. Pode ser observado sozinho a procura de alimento. Empoleira bem ereto no meio das folhagens.

É endêmico do Brasil, ocorre nos estados de Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe.

Hemitriccus obsoletus - catraca

A catraca mede 12 cm de comprimento. Similar ao olho-falso, em bora prefira as bordas de florestas montanas.

Vive em emaranhados de bambus e taquarais em áreas acima de 1000 até 2300m de altitude, também em matas secundárias e no estrato baixo de bordas de florestas primárias, nos emaranhados. Pode descer a altitudes mais baixas (acima de 500m) durante os meses de inverno.

Ocorre na Mata Atlântica dos estados do Sul e Sudeste do Brasil. Endêmico do Brasil, ocorre nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Hemitriccus orbitatus - tiririzinho-do-mato

O tiririzinho-do-mato mede 12 cm de comprimento. A espécie é sintópica com o olho-falso e a tachuri-campainha, e distingue-se destas pela proeminente borda externa esbranquiçada nas terciárias, característica comum a ambos os sexos.

Ocorre na Mata Atlântica e nas matas mesófilas entre 0 e 900 m de altitude. Prefere o emaranhado denso de lianas e cipós, os bambuzais fechados de bordas de florestas e as matas secundárias. Produz um sonoro ruflar de asas em voo, quando voa de um poleiro para o outro.

Endêmico do Brasil, ocorre nos estados do Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Hemitriccus striaticollis - sebinho-rajado-amarelo

O sebinho-rajado-amarelo mede 11 cm de comprimento. Apresenta distinto padrão gular de estrias pretas e tem olhos amarelos.

Frequenta matas úmidas ao longo de rios, em locais onde a vegetação seca cede lugar para matas ciliares mais úmidas.

Presente na área central da Amazônia, além das regiões Nordeste e Centro-Oeste, nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rondônia e Tocantins.

Hemitriccus zosterops - maria-de-olho-branco

A maria-de-olho-branco mede 12 cm de comprimento. Difere da maria-sebinha, espécie com a qual é por vezes sintópica, pela proeminete borda branca na face interna das terciárias e das rêmiges, e pelo porte maior. Apresenta bico longo e estreito.

Vive em bordas de florestas úmidas e matas secundárias

Ocorre na Amazônia Setentrional e no Nordeste.

Referências externas